Em Rio Verde:

Piloto e copiloto são presos.

O piloto preso em uma aeronave que transportava 464 kg de pasta base cocaína, nesta quinta-feira (16), em Rio Verde, no sudoeste do estado, é apontado pela Polícia Federal (PF) como uma das células do tráfico internacional de drogas em Goiás. A PF disse que o suspeito se desfez, ainda durante o voo, do celular que usava para se comunicar com os traficantes.

Além do piloto Érick Garcia Guimarães, o copiloto da aeronave André Ruither Pinheiro Lima foi preso, três suspeitos foram mortos e dois conseguiram fugir. O copiloto preferiu se reservar ao direito de falar em juízo.

A audiência de custódia dos presos aconteceu na Justiça Federal de Rio Verde, mas por videoconferência, já que os suspeitos ainda estavam na PF em Goiânia. Informações passadas pela polícia à TV Anhanguera dão conta que os dois tiveram a prisão convertida em preventiva pela Justiça. A reportagem não conseguiu saber quem cuida da defasa deles.

O bimotor, avaliado em R$ 800 mil, está no nome do piloto, que é morador de Goiânia, mas, segundo o delegado Bruno Gama, chefe da delegacia de repreensão ao tráfico de drogas, foi custeado por traficantes, que eram os fornecedores da droga enviada a Goiás.

“Ele nunca foi preso antes, mas já havia pilotado outras aeronaves também apreendidas em operações semelhantes transportando drogas”, disse o delegado.

Ainda segundo a PF, o piloto disse que havia sido apenas contratado para o voo, mas acabou revelando que a aeronave é do tráfico e foi colocada no nome dele, que serviu como uma espécie de "laranja".

Nesta sexta-feira, Bruno junto com o delegado regional da PF, Rômulo Teixeira Cavalcanti, e o agente André Sangali, deram detalhes das investigações que começaram há dois meses, e que ainda estão em andamento.

A droga veio da Bolívia para Goiás, entrando no Brasil pelo Mato Grosso do Sul e seria, de acordo com a PF, de um brasileiro que mora na Bolívia.

A experiência do piloto também chamou a atenção da PF, já que ele desceu em uma pista clandestina em Gouvelândia, perto de Quirinópolis, com sinalizações improvisas em meio a uma fazenda. A droga foi descarregada com o avião ainda em movimento.

A forma como o voo foi realizado também foi determinante para que as autoridades iniciassem a operação.

“As investigações começaram a partir da informação da Força Aérea Brasileira, que detectou que essa aeronave fazia voos Brasil/Bolívia sem plano de voo. [...] As investigações continuam, e vamos ver também quantas vezes e para quais pessoas foram distribuídas essas drogas”, comentou o delegado Rômulo Teixeira Cavalcanti.

O dono da fazenda onde a droga foi descarregada vai ser ouvido, mas PF não sabe ainda se ele tinha conhecimento do que ocorria na propriedade.

Ação no ar

A FAB disse que, a descarga e nova decolagem ocorreu em Quirinópolis. Como ele não tinha apresentado plano de voo, a Força Aérea acompanhou a descida dele até a pista em uma região rural com um "avião E-99 da FAB e, em seguida, por dois caças A-29 Super Tucano acionados pelo Comando de Operações Aeroespaciais (Comae)".

Segundo a FAB, o avião mal pousou e já levantou voo em seguida, tendo que ser interceptado novamente, desta vez "pela aeronave A-29", quando foi forçado a descer em Rio Verde, no sudoeste goiano. Chegando ao aeroporto da cidade, piloto e copiloto foram presos e o avião apreendido.

De acordo com a Força Aérea, foram usados "sistema eletro-óptico infravermelho" e "óculos de visão noturna" para conseguir encontrar e interceptar de forma segura o PT-JLE.

Todo o material apreendido na ação foi levado para a sede da Polícia Federal em Goiânia.

(Fonte: G1)