Ministério Público acaba de pedir a prisão do Major Ricardo Rocha. Ele também perdeu o registro da candidatura a deputado estadual. Veja os detalhes O Ministério Público de Goiás requereu nesta sexta-feira, 10 de setembro, ao juiz da 4ª Vara Criminal de Rio Verde, a prisão preventiva do major da Polícia Militar Ricardo Rocha Batista. A medida foi solicitada no processo penal a que o oficial responde naquele juízo pela morte de Alessandro Ferreira Rodrigues, ocorrida no dia 7 de setembro de 2006, em crime que tem característica de ação de grupo de extermínio. A vítima, conhecida como Nego Léo, seria traficante de drogas em Rio Verde, onde, à época do fato, o major estava lotado, como comandante do 2º Batalhão da Polícia Militar.
O pedido do MP ressalta o fato de que o policial militar responde a outras ações penais por homicídios em Rio Verde e Goiânia, em ocorrências que também têm características de execução. Em um dos processos na capital, por exemplo, Ricardo Rocha aguarda a realização de seu julgamento pelo Tribunal do Júri. A denúncia mais recente em relação ao major foi protocolada no final de agosto e o responsabiliza, junto com outros sete policiais, pela morte, em Goiânia, de David Morais, de 16 anos, fato ocorrido em março de 2001, quando o oficial comandava as Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam).
Ao justificar a necessidade de prisão de Ricardo Rocha, o MP salienta que o policial militar representa um risco à ordem pública, com sua conduta delituosa reiterada. Além disso, caso continue solto, poderá comprometer a produção de provas, ameaçando vítimas ou testemunhas. As provas colhidas já na esfera judicial comprovam que o requerido está envolvido em vários homicídios com características de execução. Está patente que o representado, solto, continuará a sobrepujar o combate à criminalidade, impondo a violência à sociedade para satisfação de sua sanha de 'justiça sanguinária', reforça o requerimento.
O pedido de prisão também observa que testemunhas de crimes atribuídos ao major tiveram de ser acolhidas em programas de proteção, em razão do temor de que, sem a proteção estatal, se tornassem também vítimas do oficial. Apesar disso, elas confirmaram em seus depoimentos na justiça o envolvimento de Ricardo Rocha com os crimes.
Ao todo, Ricardo Rocha responde a cinco ações penais em tramitação no Judiciário, todas elas por acusação de homicídio duas em Rio Verde e quatro em Goiânia.
Afastamento
Em março deste ano, o major foi afastado do comando do 16º Batalhão da Polícia Militar de Formosa por determinação do comandante-geral da Polícia Militar, coronel Carlos Antônio Elias. O afastamento também foi requerido pelo MP tendo em vista que Ricardo Rocha está sendo investigado por suspeita de envolvimento em um homicídio e no desaparecimento de pessoas, ocorridos recentemente na comarca de Alvorada do Norte, com indícios de atuação de grupo de extermínio.
Além do major, foram afastados das funções mais seis policiais militares: os sargentos Wanderley Ferreira dos Santos, Gerson Marques Ferreira e Gilson Cardoso dos Santos e os soldados Francisco Emerson Leitão de Oliveira, Ederson Trindade e Lourival Torres Inez.
Outros casos
O ofício do MP que resultou no afastamento do oficial relata que documento oriundo da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa aponta a suspeita de que desaparecimentos de suspeitos de roubo de gado na região de Alvorada do Norte tenham conexão com a ação de grupo de extermínio, que seria integrado pelo major e outros dois policiais militares. Entre os casos citados pela Comissão da Assembleia estão os de Pedro Nunes de Brito e do adolescente identificado como Cleiton, vistos pela última vez quando eram colocados em uma viatura do Grupo de Patrulha Tática (GPT), no dia 26 de fevereiro, às 14 horas.
Eleitoral
Ricardo Rocha chegou a requerer o registro de sua candidatura a deputado estadual nas eleições deste ano, mas teve o pedido negado pela Justiça Eleitoral por irregularidade na sua inscrição eleitoral. Por ter se ausentado de três eleições, o major teve seu título de eleitor cancelado e só conseguiu regularizá-lo em abril deste ano, o que é vedado pela lei para registro de candidaturas.
O PM recorreu da decisão, mas ela foi mantida pelo Tribunal Superior Eleitoral, em decisão publicada na sessão realizada na quarta-feira, 8 de setembro. (Com informações do Ministério Público de Goiás)



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